sábado, 2 de julho de 2016

O dia em que Erechim fará parte de uma Olimpíada

O dia é especial. Domingo, 3 de julho de 2016. O dia em que Erechim fará parte pela primeira vez da história de uma Olimpíada. Neste domingo, a Tocha Olímpica, que está percorrendo inúmeras cidades do Brasil, vai entrar no Rio Grande do Sul, justamente por Erechim.



Uma série de atrações está sendo programada para este dia tão especial. E para um atleta em particular, a data não poderia ser mais especial. Diego Telles é um atleta que dedica grande parte do seu tempo justamente a promoção do atletismo.
E foi com ele que o jornal Atmosfera foi conversar esta semana. Diego (foto) foi escolhido por um dos patrocinadores da Olimpíada Rio 2016, para carregar a Tocha neste domingo, por cerca de 200 metros pelas ruas de Erechim.
“Minha expectativa é de que a maioria da população prestigie, pois de praxe o erechinense costuma participar de eventos de grande porte na cidade. Para Erechim, a importância está na visibilidade para todo o país e exterior. E espero que isso provoque uma reflexão na sociedade, para que empresas e Poder Público contemplem com maior incentivo financeiro o esporte de base e de alto rendimento, em nossa cidade”, destaca Diego.
Para ele, o esporte erechinense também ganha visibilidade, para com a comunidade nacional e internacional. “Mas ainda não ganha espaço e investimento adequado da comunidade local. Vai ganhar o esporte regional se o evento, Revezamento da Tocha, provocar reflexão e ações em massa, sistemáticas, a médio e longo prazo, em prol de políticas públicas de estado, bem como projetos esportivos privados”, aponta Telles.

Impacto para a região
Mas afinal, que reflexões este evento traz para o esporte de Erechim e região? “A principal reflexão, na minha visão de atleta, é: estamos realmente pensando, planejando e financiando o esporte, na base, na recreação e no ao alto rendimento? Estamos incentivando realmente atletas e esportes de amplo destaque competitivo na região? Estamos fazendo o “dever de casa” com atletas e esportes “paralelos” da grande mídia? Sabemos identificar as referências regionais esportivas em âmbito estadual, de ao menos cinco modalidades esportivas? Ao meu ver, restritos a uma mono ou no máximo biesportividade regional. Estamos fazendo tudo de última hora, sem planejamento, no improviso e somente em momentos oportunos. Poucas ações e projetos esportivos regionais são sistemáticos, ou seja pouquíssimas modalidades, eventos e atletas são permanentes”, explica Telles.
O atleta enfatiza ainda que a cidade pode aproveitar um evento desta grandeza para evoluir no âmbito esportivo. “Deve a cidade aproveitar para chamar e organizar a comunidade esportiva regional, conferindo oportunidade de construção conjunta, entre sociedade civil e poderes públicos, de um Plano Decenal Regional do Esporte. Para sistematizar ações, metas, prazos e maneiras para viabilizar tais ações esportivas na região. Propor aos municípios o CPF do Esporte: Conselhos Municipais do Esporte, de cunho deliberativo, com ampla inserção de membros da comunidade esportiva; Plano Municipal do Esporte, como já citei; Fundo Municipal do Esporte, no qual empresas e Poder Público possam depositar valores a serem distribuídos à projetos esportivos, devidamente avaliados e aprovados pelo Conselho. Em troca de determinados percentuais de abatimentos de alguns impostos municipais”, avalia.
Momento histórico
E para o atleta Diego Telles, o quanto este momento será impactante. “Significa ter o reconhecimento, algo que nunca espero, trabalho para minha satisfação. São 21 anos dedicados ao atletismo, sou atleta desde a minha adolescência. Meu país, meu estado e município, não planejaram o esporte, da base ao alto rendimento. Isso, somado a outros conjuntos de fatores, impediram-me de alcançar índices olímpicos, portanto nunca poderei participar como atleta de uma Olimpíada. E ainda assim, ter mesmo que primeiramente, um reconhecimento de uma empresa multinacional, e claro, logo em seguida das pessoas que indicaram-me, é um bônus, um complemento, é um plus, algo quem vem como combustível para minha continuidade no atletismo, atuando como atleta e promotor dessa modalidade. Será o evento olímpico, mais próximo do que são os Jogos Olímpicos que poderei vivenciar”, pontua Telles.
E como será que ele se imagina, já projetando tocar na Tocha Olímpica e conduzi-la pelas ruas de Erechim? “Como já sei o meu trajeto, tenho mentalizado há alguns dias esse momento, desde agora registrando na minha memória imaterial. Serão alguns minutos de imersão e vivência profunda de cada gesto e momento gerado. Verei familiares, amigos conhecidos e simpatizantes, que poderão sentir um pouco daquilo que estarei expressando por minha vibração. Ao instante do toque na Tocha espero poder remeter-me ao passado, quando comecei a treinar e competir, e isso será fácil, pois a avenida Presidente Vargas me serviu e me sentiu passar algumas milhares de vezes, desde a metade da década de 90 ao início dos anos 2000, período que eu morava nas proximidades e utilizava essa via, já correndo e aquecendo para o treino na pista atlética ou no Parque Longines Malinowski. Após essa breve retrospectiva, quero experenciar o presente, o momento, com o máximo de lucidez possível, registrando tudo a minha volta, pessoas, paisagem, o meu ato em si, e claro, o principal, curtir a corrida em marcha lenta e respiração ritmada”, completa Diego Telles.
O evento
A passagem da Tocha Olímpica por Erechim começa por volta das 15h30 com saída em frente ao estádio Colosso da Lagoa. Sobe pela avenida Sete de Setembro até a Praça da Bandeira, em frente ao prédio da prefeitura.

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