Cotrigo - Patrimônio começa a ser vendido em hasta pública



Uma das granjas produtoras de leitões adquiridas pela Santa Clara

Quatro das cinco granjas produtoras de leitões da Cotrigo foram vendidas durante leilão ocorrido na última sexta-feira (9). As unidades localizadas nos municípios de Getúlio Vargas, Estação, Sertão e Jacutinga foram arrematadas em hasta pública pela Cooperativa Santa Clara, única interessada. A unidade de Ipiranga do Sul não foi leiloada. Os próximos leilões deverão ser do supermercado e o frigorífico, ambos de estação, e do lacticínio, localizado em Getúlio Vargas.
No mesmo dia do leilão o editor do jornal A Folha Regional conversou com Antônio Orth. De acordo com o vice-presidente da Cotrigo, cerca de 3,8 mil animais estão alojados nas quatro unidades. “A de Ipiranga do Sul não pôde ser vendida, mas tão logo seja liberada pela Fepam deve ser feita”.
Além de Alexandre Guerra, diretor administrativo da Cooperativa Santa Clara esteve presentes no Depósito Judicial do Leiloeiro Erni Carlos Oro, em Erechim, o advogado trabalhista Alexandro da Silva Manzini, da Cotrigo, o advogado Giovanni Giuseppe Beraldin, do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação de Getúlio Vargas e o presidente Paulo Roberto dos Santos. Também integrantes do Conselho de Administração da Cotrigo, entre outros.
O valor do total do negócio foi de R$ 3.401.900,00, dos quais R$ 1.130.400,00 da unidade de Sertão, e R$ 2.361.500,00 das localizadas em Getúlio Vargas, Estação e Jacutinga. Os bens leiloados alcançaram 50% do valor de avaliação, considerado satisfatório. O valor será utilizado na sua totalidade para saldar dívidas trabalhistas da Cotrigo.
Segundo Antônio Orth, o leilão da semana passada é apenas o início de uma série que devem ocorrer nos próximos meses. Sobre o quadro financeiro da cooperativa o vice-presidente foi enfático ao afirmar que desde que atual direção assumiu a gestão da Cotrigo em 2008, estava claro a inviabilidade econômica da mesma e que a única saída para a manutenção das atividades empresariais na região era a venda. E também que todas as ações contam com a aprovação da direção, conselho de administração e da assembleia geral dos associados da Cotrigo.
A dívida total da Cotrigo é de aproximadamente R$ 230 milhões. Só com encargos trabalhistas a quantia chega a R$ 6 milhões, revela Orth. Ele esclarece que o leilão das quatro granjas deverá garantir a liquidação de 60% do passivo trabalhista. E quando for leiloada a granja de Ipiranga do Sul e o prédio do Supermercado, em Estação, as pendências trabalhistas terão sido liquidadas. Tão logo os recursos do leilão sejam liberados e a Justiça Eleitoral deverá expedir a carta de arrematação as mais de 300 reclamatórias trabalhistas começarão a ser pagas.
         O vice-presidente da Cotrigo disse que a justiça comum, com a anuência da Receita Federal, acenou com a possibilidade de leiloar o frigorífico, a indústria de lacticínio e a fábrica de ração. “A ideia é vender a cooperativa como um todo, sendo que os novos gestores estarão livres de quaisquer encargos para poderem viabilizar os negócios”, disse o dirigente.
         A Cotrigo, que completou 55 anos no último dia 4 de agosto, chegou a ter mais de cinco mil associados. O número veio caindo nos últimos cinco anos e de acordo com o vice-presidente, apenas mil e quinhentos associados ainda operam com a cooperativa. As parcerias com a Santa Clara (Carlos Barbosa), no setor de lacticínio, com a Pamplona (Rio do Sul/SC), no setor de carnes e embutidos, e a Olfar (Erechim), no setor de grãos, permitem atender os associados, o pagamento dos colaboradores e as melhorias nas plantas industriais. “Deste modo os postos de trabalho estão sendo mantidos e as plantas industriais estarão em condições no momento em que forem leiloadas”, esclareceu.
         Questionado sobre a estrutura e o número de funcionários, Antônio Orth enumerou as unidades no município de Estação, onde está localizada a matriz da cooperativa, e ainda em Getúlio Vargas, Floriano Peixoto, Erebango, Sertão e Jacutinga. “São sete armazéns de cereais distribuídas nos municípios de abrangência, 450 funcionários no frigorífico e na fábrica de rações em Estação, 50 funcionários no lacticínio em Getúlio Vargas, vinte no moinho e granjas de suínos e dez no setor administrativo. A previsão é que neste exercício o faturamento seja de R$ 40 milhões.

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