quinta-feira, 16 de março de 2017

Na luta contra a Reforma da Previdência

Comitê Regional em Defesa da Previdência realizou caminhada luminosa pelas ruas de Erechim
Por: Assecom
Fotos: Jessica França/Divulgação


Movimentos sociais, sindicatos e demais entidades se reuniram na noite desta quarta-feira (15), para mobilização do Dia Nacional de Luta Contra a Reforma da Previdência e em Defesa da Educação. Promovido pelo Comitê Regional em Defesa da Previdência, o protesto reuniu centenas de pessoas que se concentraram na Praça Jaime Lago em Erechim.

Após a manifestação de lideranças, os integrantes iniciaram uma caminhada luminosa pelas ruas da cidade até a Praça da Bandeira. O protesto em Erechim faz parte de uma mobilização nacional que vem unindo trabalhadores, estudantes e entidades para sensibilização de lideranças políticas para a não aprovação da PEC 287/2016 de Reforma da Previdência que tramita no Congresso Nacional.

O projeto de Reforma da Previdência altera a idade mínima para aposentadoria, passando para 65 anos tanto para homens quanto para as mulheres e aumento no tempo de contribuição de 15 para 25 anos. A mudança atinge diretamente os trabalhadores, tanto do campo como da cidade.

Para os agricultores que contribuíam através do Talão do Produtor por unidade familiar, com a proposta a contribuição se dará também de forma individual, colocando em risco a independência e autonomia tanto das famílias de agricultores quanto das mulheres que poderão ser as mais prejudicadas com a medida.

Outro ponto visto como um retrocesso social, é a extinção da aposentadoria especial para os professores, desconsiderando a sua jornada em casa para preparação das aulas e correção de provas.

Conforme o SUTRAF – AU – Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai, a região possui 68.290 aposentados distribuídos nos 32 municípios da AMAU. “A aposentadoria significa para estas pessoas a garantia mínima da dignidade e a segurança nos momentos difíceis. A proposta de Reforma da Previdência preocupa as pessoas, gerando insegurança, muitos agricultores estão falando em não permanecer no campo se tiverem que trabalhar até os 65 anos. Nós somos contra a Reforma porque ela acaba com a Previdência Pública, nenhuma das propostas mexe nos grandes problemas, não trata da isenção, sonegação e das grandes aposentadorias”, explicou o coordenador geral do SUTRAF – AU, Douglas Cenci.


A proposta do governo obriga a pessoa a trabalhar até os 65 anos, acabando com a função social da pensão por morte, mudando a forma de contribuição dos agricultores, sendo que os trabalhadores urbanos terão de trabalhar 49 anos para terem direito a aposentadoria integral. Além desses pontos, há outras medidas que fazem parte do projeto de Reforma da Previdência que atingirão os direitos dos trabalhadores. A mobilização encerrou com uma aula pública ministrada pelo mestrando em Ciência Política, Jorge Alfredo Gimenez Peralta que explicou sobre os motivos da Reforma da Previdência, Trabalhista e do Ensino Médio e suas ligações. “ Vejo as reformas sob duas perspectivas, a ideia do desmonte do papel do Estado como indutor do processo de desenvolvimento econômico e também como garantidor dos direitos sociais, já que as reformas mexem com essas questões fundamentais. É um discurso economicista, aonde o estado diz que não deve atuar nem na economia e nem na garantia dos direitos”, destacou Peralta.

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