Persistem irregularidades na planta do frigorífico da Cotrigo (Estação)
Reinspeção foi a 43ª operação da força-tarefa do MPT voltada a
frigoríficos; objetivo foi verificar se haviam sido cumpridos 59 itens de
recomendação expedida em 2016; empresa foi chamada para audiência
administrativa em 24 de maio para celebrar TAC e evitar imediato ajuizamento de
ACP.
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Integrantes da Força Tarera do MPT |
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O gerente administrativo Cláudio Ceconello e o presidente da Cotrigo Francisco Sana. |
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A planta industrial da Cotrigo abaete diariamente 650 suínos. |
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Ao todo a indústria emprega 547 pessoas. |
A
Cooperativa Tritícola de Getúlio Vargas Ltda. (Cotrigo), de Estação, não
corrigiu a maioria das irregularidades pelas quais foi notificada pelo
Ministério Público do Trabalho (MPT) em 12 de maio de 2016. A constatação
resulta da 43ª operação da força-tarefa estadual dos frigoríficos, coordenada
pelo MPT. A reinspeção foi realizada na terça-feira (25/4) e na manhã de
quarta-feira (26/4). Algumas adequações foram feitas, tais como proteção
(enclausuramento) de algumas máquinas e colocação de guarda corpos em
plataformas e mezaninos. Outras foram parcialmente atendidas. No entanto, a
maior parte das irregularidades apontadas, as quais dizem respeito,
especialmente, à ergonomia e à saúde do trabalhador, não foram adequadas em sua
totalidade. A Cotrigo enviou três relatórios informando andamento do
cumprimento dos itens da notificação e compareceu à sede do MPT em Passo Fundo
(unidade com abrangência sobre Estação), em 1º de setembro, para, em audiência
administrativa, demonstrar cumprimento cabal de toda a recomendação.
A procuradora do Trabalho Flávia Bornéo
Funck, responsável pelo procedimento e coordenadora da operação, informa que
"o frigorífico anexou muitos documentos ao inquérito civil (IC), os quais
foram encaminhados para o setor pericial do MPT em Porto Alegre. A conclusão
foi de que somente com nova inspeção se poderia verificar a adequação (ou não)
dos itens". A empresa será chamada para nova audiência administrativa, em
24 de maio, às 14h. O preposto deverá ter poderes específicos para celebrar termo
de ajuste de conduta (TAC), visando à correta e completa adequação de seu
ambiente de trabalho às condições estabelecidas na legislação trabalhista, para
evitar imediato ajuizamento de ação civil pública (ACP).
O grupamento operacional reuniu-se, no
início da noite de segunda-feira (24/4), para ultimar detalhes da operação. A
ação começou às 8h do dia seguinte, quando o grupo chegou de surpresa à planta.
Os integrantes foram recebidos pelo novo presidente da Cotrigo, Francisco Sana,
e pelo gerente administrativo, Clóvis Cecconello. O MPT solicitou 23 documentos
à empresa. O município estaçonense (emancipado de Getúlio Vargas em 1988) está
localizado no Noroeste gaúcho, a 340 km da Capital, Porto Alegre. A planta,
fundada em 1935, fica na rua Josino Monteiro, 2, Centro, e abate, de segunda a
sexta-feira, 650 suínos por dia (há um ano, eram 800). A produção é direcionada
para a Pamplona Alimentos S. A., de Rio do Sul (SC). A fábrica tem 547
empregados (492 ativos e 55 afastados).
A força-tarefa estadual, que investiga
meio ambiente do trabalho desde janeiro de 2014, é ferramenta do Projeto do MPT
de Adequação das Condições de Saúde e Segurança no Trabalho em Frigoríficos. O
projeto visa à redução das doenças profissionais e de acidentes do trabalho, identificando
os problemas e adotando medidas extrajudiciais e judiciais. Até agora, com
esta, foram 43 ações da força-tarefa (9 em 2014, 21 em 2015, 12 em 2016 -
quando também começou a força-tarefa nos hospitais - e 1 em 2017). Destas, 17
operações foram em avícolas, 23 em bovinas e em suínas, 1 em fábrica de rações
e 2 em processamento de alimentos (sem abate). Interdições de máquinas e
atividades paralisaram 15 plantas (6 avícolas - sendo 1 por duas vezes, 5
bovinas, 3 suínas e 1 de processamento de alimentos - sem abate) em vistorias
com participação do MT. O calendário de 2017 prevê novas inspeções em todas
regiões gaúchas.
Na Notificação Recomendatória expedida à
empresa, há quase um ano, ela deveria adotar 21 providências em 48 horas,
visando adequar situações ao disposto na legislação trabalhista. Em 5
situações, foi concedido prazo de 5 dias. Para 19 situações, prazo de 30 dias.
E 14 situações, prazo de 60 dias. O documento recomendava, ainda, paralisação
da atividade ou máquina que apresentasse risco grave e iminente de acidente de
trabalho ou adoecimento, para viabilizar a correção, sob pena de
responsabilização civil e criminal em caso de negligência no cumprimento desse
dever.
Integrantes
A operação teve apoio técnico da Fundação
Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro),
vinculada ao Ministério do Trabalho (MT), e do Centro Regional de Referência em
Saúde do Trabalhador (Cerest) Alto Uruguai (com sede em Erechim), vinculado ao
Município, além do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio
Grande do Sul (CREA-RS). O grupo foi apoiado pela Confederação Nacional dos
Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins). O movimento
sindical dos trabalhadores também participou com a Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias da Alimentação do Rio Grande do Sul (FTIA/RS). Relatórios dos
parceiros instruirão inquérito civil (IC) em andamento no MPT passo-fundense.
A ação teve participação de 10
integrantes. Pelo MPT, a procuradora do Trabalho Flávia Bornéo Funck,
responsável pelo procedimento e coordenadora da operação, assessorada pela
analista Daniele Curcio Feijó (ambas lotadas em Passo Fundo), e pelo chefe da
Assessoria de Comunicação do MPT-RS, jornalista Flávio Wornicov Portela (lotado
em Porto Alegre). Pela Fundacentro, a tecnologista Maria Muccillo (lotada em
Porto Alegre), representante da bancada do governo na Comissão Nacional
Tripartite Temática (CNTT) da NR-36, voltada ao setor frigorífico. Pelo Cerest,
a enfermeira Sandra Maria de Ré Busatta e o fisioterapeuta Gilson Inácio de
Moura Arreal (lotados em Erechim). Pelo CREA, o chefe do Núcleo de Suporte
Técnico da Fiscalização, engenheiro de controle e automação Marcelo Martins
Corrêa de Souza (lotado em Porto Alegre), e o agente fiscal Homero Luis
Baldissera (Inspetoria de Erechim). Participou, também, a fisioterapeuta e
especialista em ergonomia Carine Taís Guagnini Benedet (de Caxias do Sul), que
presta serviço para a CNTA Afins. A ação foi acompanhada, ainda, pelo
secretário-geral da FTIA/RS, Dori Nei Scortegagna.
Fonte: Assessoria de imprensa do MPT - texto e fotos.
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