Ponte na divisa com Santa Catarina em Marcelino Ramos agoniza
Considerado um cartão postal da cidade, a ponte rodoferroviária sobre o rio Uruguai no município de Marcelino Ramos, está em péssimas condições de tráfego. São 424,60 metros construídos inicialmente em madeira que unem o Rio Grande do Sul com a cidade de Alto Bela Vista em Santa Catarina na região Alto Uruguai dos dois Estados. A ponte foi aberta em dezembro de 1910. Seis meses depois foi levada por uma enchente. Em 1913 a nova ponte foi concluída, mantendo o assoalhamento em madeira, mas o restante foi construído em estrutura metálica. Em 2000 a ponte teve de ser erguida cerca de 2,10 metros por causa do represamento das águas da barragem Itá 15 km abaixo. A travessia da ponte com veículo exige não apenas uma boa dose de coragem do motorista, mas perícia para evitar os buracos que dão ao fundo para as águas do rio Uruguai. Também é preciso muito cuidado com os pregos que estão se soltando das tábuas, além destas que já não estão mais afixadas, pois se soltaram e algumas chegam a estar atravessadas onde o rodado dos veículos deve passar, tudo por conta do abano.
O secretário de Turismo, Márcio Marsaro, disse que o município conseguiu duas importantes vitórias para reformar a ponte, mas resta ainda uma terceira etapa que até o momento não tem obtido sucesso: trata-se da autorização final da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para que a prefeitura comece as obras. As duas conquistas, segundo o secretário, foram a autorização assinada da ALL (América Latina Logística) que tem a cessão de uso da ponte, para que a prefeitura possa trabalhar na ponte, e a destinação de cerca de R$ 100 mil pelo Ministério do Turismo para a obra. Os recursos já estariam disponíveis na CEF (Caixa Econômica Federal), mas só poderão ser liberados e retirados depois que a ANTT der a sua autorização para a realização da obra. Os contatos tem sido frequentes com o órgão, mas até agora, sem resultado concreto.
De acordo com o secretário Márcio Marsaro, o município elaborou um projeto aprovado no governo federal, que visa substituir o atual piso em péssimas condições, por outro também de madeira, e iluminar toda a ponte. O projeto já foi aprovado em Brasília e os recursos destinados, mas o município luta para conseguir a liberação final para que possa realizar a obra. De acordo com o secretário de Turismo, Marsaro, a ponte é um elo de ligação muito importante para a economia do município, especialmente no setor do turismo. Há cerca de 15 dias, comerciantes de Marcelino Ramos (RS) e Alto Bela Vista (SC) se cotizaram e reuniram recursos e providenciaram uma recuperação emergencial para poder permitir condições mínimas para continuidade da passagem de veículos, porque a situação para travessia da ponte estava no limite. Mas, a luta para que a ANTT permita que o município faça toda a recuperação ainda continua. O município só pode intervir com permissão da ALL (que já foi dada) e da ANTT.
Marcelino Ramos possui cerca de 5,5 mil habitantes. Sua localização geográfica, às margens do rio Uruguai e a 50 km de Erechim, transformaram a cidade num ponto com vários atrativos turísticos, entre os quais a própria ponte, o girador de trens que permite a possibilidade de um passeio de trem nos fins de semana até alto Bela Vista/SC e retorno no mesmo dia, o santuário de Nossa Senhora da Salete, e, principalmente, as Termas de Marcelino Ramos onde a água jorra a 39 graus atraindo cerca de 150 mil a 200 mil turistas por ano do Brasil e de outros países. As boas condições de tráfego da ponte poderiam proporcionar um caminho mais curto especialmente para quem vem de outros Estados para Marcelino Ramos. Enquanto a ponte continuar na situação atual, o melhor caminho para quem se desloca de outros Estados é pela BR 153, vindo por Concórdia/SC.-
* José Adelar Ody./ Crédito foto: Fabiano Gaffuril
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