Governo do Estado avalia proposta para solucionar conflito entre índios e agricultores
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| Foto: Caco Argemi/Palácio
Piratini Governador Tarso Genro durante reunião com representantes das Comunidades Indígenas |
O Governo do Estado deve
apresentar nas próximas semanas uma proposta para solucionar a demarcação de
terras indígenas e a indenização e reassentamento de agricultores familiares,
após um ciclo de debates entre os órgãos do Executivo e Ministério Público. A
decisão foi tomada durante reunião entre o governador Tarso Genro, o ministro
da Justiça José Eduardo Cardozo, representantes da Comunidade Indígena e
Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Regiçao Sul
(Fetraf-Sul), na manhã desta quinta-feira (1º).
De acordo com o governador,
as decisões tomadas devem ser de consenso entre índios e agricultores
familiares. "A solução da justa indenização é um processo, e para isso é
preciso ter consciência de que isso não acontece em pequeno prazo",
ressaltou Tarso, ao afirmar que o papel do Estado não é resolutivo. "Nós
não temos poder para decidir, mas sim queremos evitar a judicialização, sendo
facilitadores e encaminhadores junto a Funai e o Ministério da Justiça",
disse.
Conforme o ministro, a
Constituição reconhece a legitimação das terras indígenas e da demarcação. O
impasse, porém, baseia-se no que deve ser demarcado e nas áreas de conflito.
"São dois tipos de conflito: um gerado por grileiros; e outro com pessoas
que buscam a legitimidade das terras, que é o caso dos índios e
agricultores", destacou.
Cardozo disse, ainda, que é
preciso encontrar uma saída, e que ela seja sem conflito. "No Rio Grande
do Sul temos uma situação diferenciada, porque existem colonos com documento da
propriedade de terra. É preciso ter um caminho estruturado, iniciado por um
processo de diálogo entre todos os órgãos",disse, destacando a necessidade
do empenho pessoal de todos.
O método de trabalho foi
aprovado pela comunidade indígena e pelas representações dos trabalhadores
rurais. A presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Maria Augusta
Assirati, disse que o processo de diálogo deve começar a partir das propostas
apresentadas pelos indígenas e quilombolas."A solução passa pelo
compromisso político, mas também soluções concretas e jurídicas. A luta pela
terra é para todos e a necessidade de unidade é fundamental, principalmente
para aqueles que vivem da terra", disse.
Os representantes dos povos
indígenas ressaltaram que o processo de demarcação de terras se arrasta há
muito tempo, e que muitos guaranis vivem embaixo de lonas há mais de 30 anos.
"O direito dos índios não pode ser negociado, é legítimo. No Rio Grande do
Sul não existe confronto, e nós queremos que isso se resolva de forma pacífica.
Queremos que o Governo ajude a defender a tradição sem prejudicar os
agricultores, mas que o direito de todos seja garantido", afirmou
Deuclides de Paula, da aldeia Candóia, do município de Faxinalzinho, enfatizando
que o processo fundiário deve ser um projeto permanente de Estado.
O presidente da Fetraf, Rui
Valença, ressaltou que assim como as comunidades indígenas reconhecem os
direitos de cada um, a entidade demonstra interesse em um acordo que também
beneficie de forma legítima as propriedades da agricultura familiar.
"Fizemos um acordo em que teremos uma espécie de trégua nos próximos dias,
com relação ao tema da demarcação de terras indígenas. Acreditamos que este é
mais um passo, e que isso ainda pode demorar um tempo, mas a reunião já é um
ponto positivo para a negociação da demarcação, um avanço, uma nova perspectiva
para o fim dos conflitos", disse Rui.
Atualmente existem conflitos
em 16 áreas, atingindo cerca de 80 mil famílias em 100 municípios do Estado.
"Estamos diante de algumas áreas de conflito extremamente graves, e a
alternativa que nos resta, enquanto Governo, é sermos parceiros da construção
de uma alternativa, que no momento é uma mesa de trabalho, coordenada pelo
Ministério da Justiça e Executivo, onde as partes tenham disposição de resolver
o problema antes de judicializá-lo", ressaltou o secretário de
Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Ivar Pavan.
"Entendemos que a
solução que resolve a vida do agricultor familiar e do indígena, seja uma
solução negociada. A judicialização de um tema significa empurrar a solução
para 10 ou 15 anos, e nós pretendemos resolver antes", disse o titular da
pasta.
Atualmente o Governo do
Estado beneficia centenas de agricultores familiares a partir de ações do Plano
Safra. As comunidades indígenas têm garantida assistência técnica a todas as
aldeias, via convênio com a Emater, que disponibiliza 100 profissionais para
atendimento nos locais.
A partir do programa de
Inclusão Produtiva, três mil famílias indígenas serão beneficiadas. Serão
repassados R$ 2.4 mil, e para a qualificação da vida, destaca-se o apoio a
ações produtivas e de segurança alimentar, cujo investimento do Estado no
período de 2011 a 2013, chegará a R$ 2,8 milhões.

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