Margs apresenta: Coleção Sartori — A arte contemporânea habita Antônio Prado
POR ASCOM | MARGS
O Museu de Arte do Rio Grande do Sul — Margs, instituição da Secretaria da Cultura (Sedac), inaugura neste sábado (22), a exposição “Coleção Sartori — A arte contemporânea habita Antônio Prado”.
A Coleção Sartori tem financiamento do Pró-cultura RS LIC (Lei de Incentivo à Cultura), com patrocínio de Essenza Design Indústria de Móveis Ltda., Viprado Indústria e Comércio de Vidros Ltda. e Hidromineradora São Roque Ltda (Água Mineral Bamboo), empresas sediadas em Antônio Prado, e apoio das galerias Nara Roesler e Zipper Galeria e da seguradora Solaris Corretora de Seguros. A produção do projeto e da exposição é de Nonô Joris Arte Produtora.
Sediada em Antônio Prado, cidade da região da serra gaúcha tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a coleção resulta do empreendimento pessoal do empresário e colecionador Paulo Sartori como um apreciador de arte que, a partir de 2014, passa a formar uma coleção particular que hoje se destaca pela representatividade da arte brasileira, sobretudo contemporânea, com destaque para a presença da arte sul-rio-grandense dos séculos 20 e 21.
Com curadoria de Paulo Herkenhoff, um dos mais importantes curadores brasileiros e com atuação e reconhecimento internacionais, a ampla e extensa exposição ocupa todas as salas e galerias do primeiro andar do Museu (Pinacotecas, Salas Negras, Sala Aldo Locatelli e Foyer). A abertura será a partir das 10h, com todos os cuidados e medidas do protocolo de segurança sanitária do Museu (como controle de público e uso obrigatório de máscara).
São apresentadas mais de 250 obras, de mais de 100 artistas, cobrindo um arco histórico de 1903 a 2021. Esse conjunto, que é um recorte da coleção, é exibido segundo núcleos temáticos concebidos pela curadoria para a organização da mostra.
Entre os artistas presentes figuram nomes como Adriana Varejão, Angelo Venosa, Arjan Martins, Berna Reale, Carlos Pasquetti, Carlos Vergara, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Élle de Bernardini, Erika Verzutti, Glauco Rodrigues, Hudinilson Jr., Jaime Lauriano, José Resende, Karin Lambrecht, Leandro Machado, Leda Catunda, Lenora de Barros, Lia Menna Barreto, Lucia Koch, Luiz Zerbini, Mara Alvares, Maria Lídia Magliani, Marina Camargo, Mário Röhnelt, Mauro Fuke, Milton Kurtz, Nelson Felix, Nelson Leirner, Paulo Pasta, Regina Silveira, Rodrigo Braga, Romy Pocztaruk, Rosana Paulino, Rosângela Rennó, Saint Clair Cemin, Sandra Cinto, Túlio Pinto, Tunga, Vera Chaves Barcellos, Walmor Corrêa e Waltercio Caldas.
Nas palavras do curador Paulo Herkenhoff, a Coleção Sartori “abarca um olhar amplo sobre a produção brasileira contemporânea de Norte a Sul, em algumas de suas vertentes mais significativas”. Ele acrescenta que “muitas coleções começam de um jeito e se encaminham para outro ao longo do processo de observar a arte. Foi assim com um colecionador do quilate de Gilberto Chateaubriand. A coleção Sartori se inicia com um olhar sobre artistas do Rio Grande do Sul do pós-guerra, para depois abrir seu compasso em busca de outras latitudes estéticas na arte do presente. São esses movimentos de descoberta e viradas que fazem do colecionismo privado um modo de reconhecer o Brasil simbólico, um sensor das inquietações da própria arte. Essa inquietação também é do próprio colecionador, cujo esforço em reunir arte tempera a cena cultural”.
Ainda, segundo o curador, “colecionar é um ato da vida. Por isso é incessante, sem trégua. Segundo Freud, parar de colecionar é uma forma de vislumbrar a morte. Paulo Sartori reuniu conjuntos de obras que permitem discutir e levantar uma agenda sobre as formas de violência na Amazônia, as relações entre identidade e subjetividade, a arte conceitual, uma pintura indisciplinada, o estatuto do objeto, arte e física, entre outros. Portanto, o olhar do colecionador estabelece modos de discutir a arte em resposta aos desafios da atualidade. O colecionador interpreta e projeta significados sobre o ambiente estético. Seu imaginário é uma forma de curadoria que segue afinidades eletivas, certas rotas intelectuais e prazeres do olhar. A curadoria buscará a arte reunida em Antônio Prado e simultaneamente considerar a visão crítica do colecionador.”
Na opinião da secretária da Cultura, Beatriz Araujo, “trata-se de uma fabulosa coleção de arte brasileira e gaúcha, que muito nos orgulha por ter sido criada e estar sediada no Rio Grande do Sul, nessa cidade tão especial que é Antônio Prado. Esta exposição traz agora a coleção a público, permitindo reconhecermos sua importância e proporcionando um rico momento de contato com nossa sociedade. Ao mesmo tempo, vem ao encontro de nosso empenho na Sedac em dar atenção e conferir protagonismo a todas as regiões do Estado.”
Para o diretor-curador do Margs, Francisco Dalcol, “o colecionismo privado é historicamente uma parte fundamental do sistema da arte. Participa desde a cadeia que envolve a produção, até a rede de constituição dos valores artísticos e as esferas de inserção e legitimação dos artistas e suas realizações, operando ainda no âmbito da constituição e preservação da memória. Portanto, a apresentação pública de coleções particulares encontra um sentido coletivo não apenas ao se proporcionar sua visibilidade e apreciação para a sociedade, mas também ao assinalar a importância da prática do colecionismo em si para o campo das artes visuais e da cultura. É com essa compreensão que o Margs apresenta a exposição “Coleção Sartori — A arte contemporânea habita Antônio Prado”, com curadoria de Paulo Herkenhoff, que desde já figura como um momento emblemático e mesmo um marco na história das exposições do Museu, notadamente junto a mostras do passado que também trouxeram a público coleções particulares. A Coleção Sartori, de Antônio Prado, tem se consolidado em anos recentes como uma das mais significativas do colecionismo de arte no Sul do Brasil. Para a Sedac e o Margs, é uma honra oportunizar a apreciação pública de um recorte tão expressivo da coleção, que se destaca pela tremenda representatividade da arte brasileira contemporânea, com especial olhar sobre a produção artística relacionada ao Rio Grande do Sul. Assim, temos o privilégio de proporcionar essa experiência ao público, que agora tomará conhecimento de tão relevante coleção.”
O casal de colecionadores Nádia Ravanello Pasa e Paulo Sartori conta que “a construção da nossa coleção inicia de forma acanhada, mas, desde a primeira obra, carregada de muita emoção. Lembranças de um adolescente apaixonado por arte, que ficaram adormecidas por anos, voltam com muita potência e são o motor de um processo sem volta. O prazer da busca, a expansão dos horizontes, a exploração do passado e o olhar para o futuro são questões muito caras e que nos possibilitaram aglutinar um conjunto de obras conciso e com múltiplos olhares sobre a produção artística nacional, especialmente a gaúcha, dos anos 1980 até os dias atuais. Sonho utópico. Assim é como definiria a possibilidade de uma exposição como esta, há poucos anos. Porém, os ventos mudam e, depois de muito trabalho, é com muito orgulho e alegria que nossa coleção invade os salões do Margs, maior museu público do Estado do Rio Grande do Sul. Primeira vez que essa coleção privada vai a público. Há algum tempo já sentíamos isso, mas só agora é que temos a certeza de que o ato de colecionar é muito mais prazeroso se compartilhado. Sejam bem-vindos à Coleção Sartori!”
Paulo Herkenhoff
Curador da exposição, responsável pelo livro sobre a coleção e pelo catálogo virtual sobre a exposição que estão sendo produzidos, Herkenhoff foi o primeiro Diretor Cultural do Museu de Arte do Rio, o MAR, bem como Diretor-Geral do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro (2003-2006) e Curador-Chefe do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o MAM-Rio (1985-1999). Foi também curador da 24ª Bienal de São Paulo (1998) e curador-adjunto no Departamento de Pintura e Escultura do Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA (1999-2002). E ainda consultor da Coleção Cisneros (Caracas, Venezuela) e da 9ª documenta de Kassel, na Alemanha (1991).
Coleção Sartori — A arte contemporânea habita Antônio Prado
Data: 22 de janeiro (sábado)
Horário: a partir das 10h
Onde: Pinacotecas, Salas Negras, Sala Aldo Locatelli e Foyer do Margs (1º andar)
Endereço: Praça da Alfândega, s/n° - Centro Histórico, Porto Alegre, RS
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